a manhã nasce num gesto escuro
quando a espera se revela
inútil como um útero
que não sangra
o corpo incauto põe-se
de tocaia: aguarda outra deixa
para se jogar
e ignora o calafrio
esse arrepio entre o umbigo e os seios
essa dor terebrante no monte de vênus
anunciam
todo amor dilacera
