10/10/2025

Célia Moura, in "No Hálito de Afrodite"

 Que a mais bela flor de lótus se desvende

e resplandeça
tal como se desvenda perante tua cegueira
essa bela mulher,
promessa de divindade entre o teu corpo,
livro branco ultrajado entre as mãos
como se nos penhascos entre chorões
lhe colocasses no véu estrelas
assim se tornando farpas
como uma cama vazia.
Tanto mar,
tanto céu, tanto azul
e não poder ser somente liberdade
entre os cabelos!
Que a mais bela flor de lótus se desvende
pois eu nunca soube dela e ela tanto soube de mim,
ó inóspito deserto que parte sou eu de ti?!
Ó poema por completar, dá-me um pedaço do teu odor!
Sou esta cama vazia.
Raios parta o amor que se invoca e jura,
fui instantes!
Que te masturbes eternamente meu amor jurado,
sim, para sempre imaginando fêmeas
com o rosto daquela mulher
a quem colocaste estrelas nos olhos
safiras e esmeraldas caindo do seu véu de núpcias
como se colocasses farpas
em dorso de bestas.
Somos esta cama vazia!