19/10/2025

DESTRUIÇÃO ( Anna Apolinário )

 os olhos do ódio são dourados

a língua víbora lasciva

é doce a cicuta oferecida pelo amante

sou um corpo que tomba entorpecido

o ventre arde como se amasse o veneno

 

o anjo descostura-se do céu quente

não mais seda, agora apenas víscera

doença que despenca

olhos estéreis contemplam

o início da aflição

pequena flama nascente

entre as pernas

sob a luz áspera da manhã

fabrico esta morte

 

um lépido toque de mãos

e os pelos pubianos cintilam

dentro, um grito rubro se agita

violência rasgando o veludo

agora se esvai de mim

terrível lótus sanguínea

pequenino corpo que se tornou rio