os olhos do ódio são dourados
a língua víbora lasciva
é doce a cicuta oferecida pelo amante
sou um corpo que tomba entorpecido
o ventre arde como se amasse o veneno
o anjo descostura-se do céu quente
não mais seda, agora apenas víscera
doença que despenca
olhos estéreis contemplam
o início da aflição
pequena flama nascente
entre as pernas
sob a luz áspera da manhã
fabrico esta morte
um lépido toque de mãos
e os pelos pubianos cintilam
dentro, um grito rubro se agita
violência rasgando o veludo
agora se esvai de mim
terrível lótus sanguínea
pequenino corpo que se tornou rio
