24/10/2025

PARA UM AMOR QUE SE DERRAMA II ( Ariana Zahdi )

 Sol de meio-dia

Era fogo da primavera

Gelada

E por dentro

Floresciam as cerejeiras

Tão orientais

Quanto a paz construída a dois.

 

No confronto íntimo

Nem mortos, nem feridos

Só risos frouxos

Pernas tronchas

Mãos geladas a acordar o corpo

E uma taça que se derramava

Mas nunca se esvaziava.

 

Sem métrica

Mas com ritmo

Sem seriedade

Mas com graça

Sem nós de marinheiro

Mas com enroscar de almas.