Sou eu
que no leito abraço
mordisco seu corpo
com lascivo ardor
Sou eu
cansada inquieta
lanço-me a cama
mordo nos lábios
o gosto da ausência,
sou eu essa mulher
A noite
no eito da ruas procuro,
vejo-me agachada nas esquinas
chicoteada por uma ausência.
Desfaleço
faço-me em pedaços
Mulher
sou eu esta mulher
rolando feito confete
na palma de sua mão
Mulher - retalhos
a carne das costas secando
no fundo do quintal
presa no estendal do seu esquecimento.
Mulher revolta
agito-me contra os prendedores
que seguram-me neste varal
Eu mulher
arranco a viseira da dor
