14/10/2025

SEMPRE-VIVA ( Gilka Machado )no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Sempre-viva, teu nome exprime quanto vales,

e, embora te não desse aroma a Natureza,
quem, como eu, padecer o maior dentre os males,
por força ha de exalçar-te a original belleza.

Quer abroches num horto ou na campa assignales
uma grata lembrança, eternamente accesa,
vive essa chamma de ouro inserida em teu calix,
como um sol que a surgir illumine a deveza.

Exposta ao sopro rijo e inclemente do Vento,
aos queimores que o Sol impiedoso te lança,
não te rouba a tortura o fulgor opulento.

És como esta paixão (minha paixão estulta!),
que o túmulo a enfeitar de uma extincta Esperança,
aos rigores da Sorte esplende, viça, avulta!