Eu não sonhei…
os beijos na vereda da praça
o toque anoitecendo minha cintura
a mesa escondedora de joelhos
e a doce insinuação lasciva
Não foi una confusão
o sonho desses dois vocábulos
o enérgico e possessivo. Vamos!
as reinvidicações veladas
e a ternura ol descobrir o gesto.
Não foi uma fantasia
a glória da palavra justa
o cúmplice silêncio da espera
a gulosa mirada do encontro
e os dias de fogo à distância,,
as mãos sobrepostas
o céu por fazer-me tua
a ponta de meus pés para pegar a boca
e agachados para sorver minha essência.
Não foi una alucinação
a fúria animal entremesclada
o ofegante do músico
a vertigem elevada entre teus braços
e teu sensual tom autoritário.
Não era um delírio
(embora delirássemos)
os risos debaixo o cinto sustentador
tuas águas derramadas em meu ventre
me néctar fluindo por teus dedos
e a urgente ereção em meus confins.
Não, eu não sonhei
Os sonhos não deixam rastros, nem amasso,
nem odores
Os sonhos são pura confusão
Os sonhos não são nossos.