21/11/2025

BACO ( Alexandra Vieira de Almeida )

 O vinho tinto da noite sã

atirava seres para a glória do mundo
No erotismo ácido das estrelas
colho o sumo da terra negra

Os cabelos soltos pressagiam um naufrágio
As páginas ainda estão molhadas de sono
É necessário o subterfúgio do prazer
que coloca a dor no seu verdadeiro
lugar mundano

A aventura da escrita
é percorrer as pupilas negras da noite
e acobertar os corpos
no abrasamento das chamas

Baco, diga-me
se nesta noite vaga
vaga a lua em meu peito inerte
se a cor noturna engrandece
os poetas na sua viagem rumo ao mistério.