como saber se me ama
se não se debruça mais sobre meu corpo cotidiano de palavras
se não me toma pela cintura como fazia nos tempos de guerra
[das nossas guerras
empatadas pela fome que nunca nos deu trégua]
como saber
se não me verga sob o peso de seus inéditos versos seculares
se não introduz sua língua fria e báltica no fogo da minha rima
se não traz suas beldades longilíneas pra pisotearem minha cama
se não derruba o punho fechado sobre minha crença e profissão
se não me queima mais com a chama do seu cigarro infinito
se não visita meu quarto na cidade mexicana onde me guardo
se não beija meus lábios e unhas encarnadas no vermelho
se não escreve meu nome em segredo no silêncio da sua respiração
onde você mora
agora que vive em outra vida?
onde você mora
assim tão longe de casa?
