Os espelhos são a came do quarto.
Erectos na moldura reproduzem os corpos.
As melhores fatias de luz contornam a prata,
mastigam os ângulos, deixam correr as partes.
Despimo - nos em frente dos espelhos,
cresce para eles o odor das virilhas,
os rins entreabertos, as mãos de pouca
ossatura e o recheio das ancas.
Macios, brancos — a prata de zinco
acumula poses, vai da obesidade ao osso,
os veios, os vincos, a alteridade enche-o.
(Quando a cadeira se apruma, o reflexo bebe -a)
Talhante agarrado ao ego, o espelho corta,
desmancha. Enche se de carnes e rouba,
vai enchendo,
