19/11/2025

LÍLIA TAVARES, in NOMES DA NOITE.

 Cheguei a casa quando anoitecia.

Ainda quente, o vento empurrava-me o vestido.
Por um instante senti-me ave
levada por brisas, plumas e enigmas.
A aragem entontecia-me de prazer.
Queria ficar nos braços daquele vento.
Imaginei que o anoitecer me pertencia.
De pé, senti o teu corpo.
O meu, aberto e solto, deixou-se ir.
Sou apenas uma guardadora de ventos.

               A Água e a Sede, Modocromia, 2019)