A casa não se descreve:
sente-se. Aqui permanecem
todos: dos que não vieram
àqueles que já partiram.
Na casa jamais se apaga
a luz com que me fitaste
(porém em ti, não: em ti
era só vidro, quebrou-se).
A casa se arquiteta
a si mesma, cada vez
mais habitada, enquanto
sangro paredes e espaços.
E cresce. Até não deixar
sinal no meu peito imóvel.
