20/11/2025

Por Danielle Tosta

 A memória das minhas ancestrais

faz minhas raízes balançarem

na cadência do navio negreiro, sinto o enjoo

que nelas embrulharam o estômago

mas desde lá, Iemanjá preparava o caminho

 

Quando eu andar, que a fluidez

da água que um dia afogou-acolheu os meus

me direcione para ocupar espaços

que antes os que se acham donos de tudo

ousaram um dia me destituir

 

Que na engenharia que tudo constrói

eu deságue a oferta dos meus sacrifícios

como forma de inspirar, iluminar como farol

que conduz a embarcação, para que não se perca

na enxurrada do medo de naufragar

 

E se um dia a água que me conduz faltar,

que meu pranto regue o chão

e que d’Ele brote a força

para as que virão depois de nós.