30/11/2025

RESTOS QUE RESPIRAM ( Yuleisy Cruz Lezcano )

 São os restos, sombras vivas,

ecos que o tempo não consome,
fragmentos de um corpo ausente,
rastros de um suspiro antigo.

Na secura da forma,
sem dentes, sem alento,
alguém chama um anjo adormecido,
uma mãe que cruza um umbral.

O olhar, esse farol tênue,
pergunta na penumbra,
se desfaz no ar denso,
retorna ao segredo sem nome.

Sobre a madeira adormecida,
o casaco suspenso no esquecimento,
o chapéu, guardião silente,
a caligrafia, um traço de alma.

Nesses restos inanimados,
habita o pulso do eterno,
o fôlego que não se rende,
a sombra que ainda respira.
tradução: Gladys Mendí