Um pedaço de sol caiu sobre mim
ao meu primeiro choro. Ao meu lado,
treze garotas recebiam pedaços distintos da lua.
Beijamo-nos, ao que renascemos
seis vezes. Construímos cidades
de pena de galinha e água.
No quarto escuro,
uma raposa me olha e ri
deitada enquanto escrevo.
Ela carrega em seu pescoço
o voo mágico da morte.
Ela o oferece para mim
em troca do meu tornozelo esquerdo.
Não escutei as trombetas,
não fui recebida por Deus.
Um bode do mar
foi o nosso companheiro
alimentamos a casa de Vênus
banhamos os pés da Via Láctea
louvamos a mortalidade das estrelas.
A raposa me olhou uma última vez,
nós duas sabíamos que era a última vez,
e, ao meu toque, se transformou em chuva.
Ela renasceu. Apenas para desaparecer.
