folheio teus cabelos nesta manha de segunda-feira
folheio teus cabelos pela manhã
e um sonho colado à corda de sete linhas mais
uma orelha
pendurada na língua a palavra
estremeço
meus olhos abertos no escuro
todas as páginas escritas começam a queimar
pelas beiradas
depois o centro
estremece
a cidade e seus chakras encobertos pela luz
um poema escapa
dos teus pelos
e eu não posso perdê-lo
fodam-se os livros
fodam-se os livros
e todas bibliotecas itinerantes
teu nome é incêndio
