20/12/2025

A DANÇA DAS CHUVAS ( Célia Moura )

 Sejam bem-vindas todas as chuvas

que clamo
e me inundem a alma em chamas
fazendo renascer vida onde tudo tem sido noite e pranto.
Pois que da terra queimada se erga
tal soberana fénix!
Professo meu amor que parto,
e me embalarás em teus braços
enquanto eu vou e venho serena quanto uma flor
em teu corpo.
Cadência infinita deste amor tão nupcial !
Não me acordes deste sonho,
em que vou chapinhando, indo e vindo como as aves
ao som de um clarinete
com véu e grinalda,
numa dança feita de mim
e das chuvas
que sempre aliviam este corpo feito deserto
em mais um fado que não canto
porque me calas a boca de beijos!