O quarto resguarda
a tímida luz de outrora
Entre lençóis
vicejam os gestos
esquecidos
onde ainda hoje
moramos desde sempre
As mãos possuíam
essa clarividência
de tecer os sopros
os ardis da pele
de construir
um barco perdido
onde a respiração
queima a si mesma
ardendo o íntimo
mais secreto
do que éramos
Rosto contra rosto
flanco contra flanco
em única trama
nascíamos do que
jamais fôramos
do que nunca seríamos
inventávamos
um animal selvagem
capaz de nos ferir
de nos lanhar
Ardíamos o esquecimento
como quem acalanta
