A mulher que pendurou a toalha na janela
não sabe que aquilo é um poemavoando no compasso do vento e dos acordes da músicaque o rádio espalhaTalvez ninguém tenha vistoo indescritível amarelo caiadodo prédio vizinho, cercado de azul:pálidas tintas que compõem esta manhã.No fundo deste bairroquem ouve tanta luz?Mesclada à picareta que desce às pedrase a outros ruídos aparentemente banaisa mulher que pendurou a toalhanão sabe de mim nem ouve rádio.Talvez nunca tenha imaginadoque sua toalha fosse uma asa enlouquecida.