Seria mais fácil se entendesse
todas as suas imagens
mas a imagem dos amantes estrangeiros
cada um alienígena na língua do outro
me enternece sobremaneira, e ainda mais.
Não é muito diferente do que passo
com o seu corpo
argonauta explorando não o mar
mas o negro do espaço
no momento em que a luz se apaga
e confiamos no tato
como um acrobata que se lança
para outros braços
e confia que o que lhe aguarda
não é a queda.
Quero confiar cegamente
como quem se venda
não é o mais prudente
mas o que mais me agrada.
E se me largas morro
mas se não me largo
morro ainda mais.
