17/12/2025

TU ÉS O MEU RELÓGIO DE VENTO ( Isabel Meyrelles, in O Rosto Deserto, 1966 )

 Tu já me arrumaste no armário dos restos

eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?