Morde-lhe os bicos à donzela sem dor.
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
31/01/2026
OS SEIOS DA MULHER ( Lucas Munhoz )
O CIRCO MÍSTICO ( Edu Lobo & Chico Buarque )
Não, não sei se é um truque banal
MUDEZ ( Amanda Ionara Farias de Oliveira - Amanda Simpatia )
Desnude seus pensamentos
O corpo que me pertence
Ou eu pertenço a um corpo
Baby?
Qual pecado fatal te mostra meus seios?
Qual banalidade teus olhos reparam?
Caso eu tenha cometido algum mal
Baby, ouça um jazz.
Ligue o blues
E vamos viajar
No imenso azul do céu.
As estrelas reparam em nós
Mas nós tampouco damos valor a ela.
Que valor as estrelas têm, baby?
O universo é tão fatídico assim…
Não pode isso,
Faça aquilo.
Qual é o fim, baby?
MARCO TEMPORAL NÃO! ( Mariana Cambirimba )
(de)marcadas estão as marcas do tempo
nas rugas dos meus pais.
do solo quente e seco
também ficaram sinais.
pés rachados,
como a terra violada da ka’atinga:
por bois,
por balas,
por botas.
hoje a gente anda no asfalto
concreto acima de nossas cabeças,
mas quando voltamos para casa
meus pais abraçam árvores,
olham para o céu
e são amigos das palmeiras.
toda vez que leio um livro de história
ou vejo a beleza das gravuras rupestres no Poty
eu sinto:
dói tudo, nos tiraram tanto…
então, vamos gritar
andar em marcha
acolher sementes
e escutar raízes.
queremos demarcação,
MARCO TEMPORAL NÃO!
crianças brincando no rio e no oceano,
MARCO TEMPORAL NÃO!
passarinhos voando livres
MARCO TEMPORAL NÃO!
chuvas todo ano
MARCO TEMPORAL NÃO!
tocar nossos pés no chão
MARCO TEMPORAL NÃO!
vocês realmente não sabem o que fazem.
perderam completamente a compostura,
esqueceram o que é ancestral:
a Terra.
TRABALHO ANCESTRAL ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
A misericórdia que me alcançou
Não foi a mesma que me espoliou
Menos ainda, a que a igreja me ensinou.
Essa, me amedrontou
Me desterritorializou
Me violentou!
Mesmo assim eu Vinguei!
Porque sou semente.
A Wayra me polinizou,
Em terra arada pela força da tempestade,
aquecida pelos raios do grande Kûaracy,
E do útero da majestosa Tupãna Kunhã, brotei.
Entre raízes, cresci
Delas, muito alimento recebi e me fortaleci.
Essa confluência de forças me fizeram Território.
O mesmo que clama desde os confins da Terra, por justiça!
Se você deseja curiosamente sentir o sabor que tem
O fruto do Trabalho Coletivo Ancestral,
Plante
Regue
Colha
e tenha coragem para comer!
E tu verás,
O quão trabalhoso é deixá-lo assim…
Naturalmente suculento e desejável
Ao ponto de dar vida e morte, até a quem não mereça!
CUIEIRA ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
Nossa mãe
Poder gerador da vida
Útero divino
Minha mãe
Majestosa Mãe Terra
Que nos ensina sobre aparências…
Muitas vezes enganosas
De fel ,vira mel
Curandeira sagrada….
O que não tem serventia, faz ter
Do enfeite traz a cura
Do miolo traz o sumo
E o sumo que é fel
Sem água
vira mel
Mel que cura.
Miolo misterioso
O fogo transforma
De branco amargoso
Em preto saboroso.
Manchas não pode ter
A cura não tem máculas
Três Luas é o tempo
Que precisa
O útero da filha
Para a mãe curar…
Louvado seja, Metindjwynh!
Mejkumrex minha Mãe Terra!
A VISÃO ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
Para onde iremos depois da nuvem cinza
Nós sabemos bem…
Para onde iremos depois de todo sangue derramado
Nós sabemos bem…
Para onde iremos com nossos corpos violados
Nossos pés, patas, peles, penas, couros e cascos em chamas
Nós sabemos bem
Para onde iremos sem as árvores rios e animais
Nós sabemos bem…
E tu?
Para onde irás quando te faltares o essencial que tu mesmo destruístes?
Tu não sabes?
Nós sabemos bem, e isso nos apavora!
ÁRVORE NUA ( Anne Morrow Lindbergh ) in O Unicórnio e Outros Poemas
Despiram-me das folhas de minha juventude,
OLHANDO O MAR, SONHO SEM TER DE QUÊ ( Fernando Pessoa )
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
MULHER CORRENTEZA ( Lidiane Adjú Kariú )
Tu és água da fonte
É Segredo contido
É água de rios fundos.
Tu és água corrente
É a pedra do caminho
É a cantoria de teu encanto
É o encontro de tudo.
Tu és a correnteza da água
É o ventre fecundo
É a sacies do mundo.
Tu és a corredeira do rio
É o movimento da vida
É o desejo profundo.
Tu és água de remanso
É braço de descanso,
É o canto.
30/01/2026
PRESA NÃO SOU RIO ( Lidiane Adjú Kariú )
Não me queiram água mansa,
Porque água mansa não sou.
Eu sou correnteza,
E na correnteza eu vou.
Quebrando pedra,
Quebrando represa,
Quebrando tudo que me mantem presa.
Presa não sou rio,
Presa não sou.
Não me queiram espírito brando
Porque domesticada não sou.
Eu sou feita de selva
E a selva me ensinou.
A cantar o canto
A quebrar quebranto
A quebrar o encanto
Que me mantem presa.
Presa não sou tua,
Presa não sou.
MESTRA DO AMOR ( Vânia de Oliveira Freitas (Prema Shakti))
Gratidão a Ti Oh doce Mãe
Numa concentração intensa
Suas cores brilham e se revelam
Teus poderes se manifestam
Para nós perceptíveis ficam
Cada vez mais nos direcionamos para Ti
E a vida começa a sorrir
Unidos a Ti
Sem hesitar
Tua vontade cumprir
Agir!
PARÁ É TERRA INDÍGENA! (Danielle Souza (Iacy Anambé))
Da cidade das mangueiras
Maíri Tupinambá levanta
Banhada de rios misteriosos
Do povo Parawara
Pará é terra indígena, meu mano!
Não sabias?
Pois chegue que vou lhe contar!
Aqui ilhas de memórias
Levantam Acaizais
Imponentes samaumeiras
Viram o tempo de milhares de povos que plantaram esse chão!
Cabelos de jenipapo, olhos de urucum,
pintados de diversidades,
cocares dos tuxaus são cedidos gentilmente pelo povo do céu
Tecido por mãos Matriarcais
Da mandioca, alimento da terra!
Many ensinou como tirar sem matar
Beber sem secar
Viver em harmonia com todos os seres.
Do céu Jacy ensinou suas filhas a plantar as raízes dos Kunamis no ritmo da batida do coração da natureza.
Do fundo, oyaras guardam as memórias dos clãs das águas e as gigantes sucuris devoradoras de mundos.
Tapi Ir’rape
Conta as histórias para os anciões que preservam memórias, cantos, línguas e constelações.
Somos muitos povos, muitas nações, somos, guerreiros, somos guardiões desta terra paraowara, tapajowara, marajoara, karajawoara...
Somos!
Anambé, Gavião, tembé, munduruku, Tupinambá, sacaca, Kayapó, amanaye, turiwara, assurini, borari, arara, xipaya...
O meu país Pará é terra indígena é terra de gente forte
Do norte, da Amazônia!
REVOLTOSAS ( Danielle Souza ( Iacy Anambé ))
Entre terras e águas, o corpo emerge,
Mulher ancestral, que a memória protege.
Símbolo de poder, cravado no chão,
Onde rios esculpem sua canção.
Guarda segredos, medicinas da mata,
Fala a língua que o vento desata.
Do fundo dos rios, dos céus a chorar,
Seu corpo é história a se revelar.
Na arqueologia, fragmentos despontam,
Mãos hábeis, no barro, lembranças contam.
Cerâmicas vivas, matriarcal oração,
Do sagrado e do simples, a narração.
Pegadas no solo, digitais da história,
Renasce no tambor a força da memória.
Pinceladas vibram no espírito forte,
O corpo pulsa, ecoa no norte.
Revoltosas, não apenas beleza,
Mas chama que arde em luta e nobreza.
Social e cultural, é força que inspira,
Poder vivo que a história admira.
SÓ TE QUERIA ATÉ ONDE ME ACHAVA( Izabela Souza )
Me recusei de você
Não sabia me abrir
BRUXA ( Izabela Souza )
Mulher livre
Liberdade feminina
Solto a bruxa que sou
Sou poeta e tô cantando Cássia Eller,
Me adorando ao som de Pitty,
Exalando poder.
Somos deusas, Rita Lee.
O suor na pele é a prova da dança que danço.
Liberdade.
Bruxa,bruxa, a palavra dança na minha mente.
Apenas uma mulher liberta.
Sou grande demais para estar presa.
Música alimenta o meu ser.
O volume está alto.
Preenchendo cada vibração da minha alma.
Inspirada ao escrever.
Liberdade.
Euforia.
Te entendo, Natasha.
Bebo a água gelada. Escorrendo pelo canto da boca.
Água é alivio.
Meu cabelo é arte.
Quem não entende que se foda.
Que não me entende que se ame mais.
Amor.
Olhos vermelhos me faz chegar ao clímax.
Alguns momentos atrás tocava Geração Coca Cola, sou aquela revolução passada.
E me lembro daquele poema que fiz outro dia.
Sou intensa, em todos os sentidos.
Intensidade, amém.
8/80.
Santa trindade, amo-lhes.
A sensação de se encontrar é transcendental.
No atual exato momento, tô me encontrando aqui, sozinha, escutando música boa, cantando música boa, dançando e escrevendo, me sinto preenchida.
Imagine-me.
Imagine-me bruxa.
Faroeste caboclo.
Não peço por nenhuma permanência, só a minha.
Não cobro ninguém.
Mas faço a minha parte.
Me afogo em tudo que vale, o final vale o início.






