08/01/2026

A CHUVA CHOVE ( Cecília Meireles )

 A chuva chove mansamente como um sono

Que tranqüilize, pacifique, resserene.
A chuva chove mansamente. Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine.

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono.
Véspera triste como a noite, que envenene

 Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha.
Paço de imensos corredores espectrais,

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais.