Decerto hei-de escrever
a forma como me matarás,
até lá brincarei com as açucenas
que abominas
e peço perdão ao Infinito
por todos os que riram desta lama,
desta incomesurável dor
desde as ilhargas até ao peito.
Ainda que ninguém saiba,
eu sei e tu também
o quanto fizeste arder toda a poesia
na fogueira,
o quanto meu corpo gemeu
por todos os abraços
que me desprezaste.
Não, não sou tua flor!
Sou uma mulher,
que transformaste em asco
sou de ninguém.
E antes que me mates,
hei-de parir todos os filhos
que nunca quiseste de mim.
E porque haverias de os querer
se sou tua flor
loucura absoluta
destas noites sem alvorada,
numa verdade feita mentira
deambulando nua
por todos os jardins
