Porque sou uma mulher ímpar
calço o número
das fechaduras proibidas
desato meu cabelo em plena chuva
e odeio açúcar no café
Eu me maquilo a sós para dançar comigo
detenho as horas e os caminhos
canto o silêncio das concubinas
sou seu prazer
reconheço a nudez nas palavras
gozo com elas
me prostro diante delas
com a ansiedade das cadeiras vazias
nas esquinas
Sou ímpar quando amanheço
ou choro
a ordem seria distinta
se eu não soubesse ignorar as regras
Por isto revivo a memória dos afundados
sou esse barco
não exijo salvação
muito menos naufrágios
Prefiro a água quente
para culminar com frio
e então sentir tudo
na curta eternidade dos peixes
que andam de um lado a outro
como se a primeira
