Não existe nada mais forte do que este amor.
Seu corpo se dobra
e não se quebra.
Suas costelas forjam a cana
para nos alimentar;
sulcam o sal
os dentes assassinos
o vento sopra até a medula.
Traz areia nos olhos
para cegar
os videntes.
Traz espuma na boca
e flutua.
Flutua com a ponta erguida.
Desenha um anel na água,
um eco.
Mordo essa cana,
sua raiz convulsa
o fio de saliva
que sustenta o anzol.
Mordo as peras quando amadurecem.
Minha voz empapada em teu ouvido.
A pedra do silêncio
tropeça com este bambu.
Tomo a tua asa para cruzar a calçada.
Tomo a tua asa e vejo o tempo.
Choro em um pódio
Diante da realidade acobreada.
Choro e me esfumaço
como o valor sobre os lagos.
Sou a mulher que acreditou em uma debandada
e viu nos olhos de seu amante
a origem de um fogo.