Hoje
como nunca,
Amado,
era a tua nuca suave,
e a tua face,
um quilómetro branco
que chegava pelo ares.
Hoje
como nunca,
Amado,
vão cerejeiras
à tua casa,
e por teu pescoço fazem
cruzeiros,
certos peixes rosados.
Eu,
entretanto,
observo a variação coral
dos radiogramas
e um rio inédito
escreve
os seus molhados rituais
no teu cabelo.
*
Ver-te
é não ter perfume
Mas perder-te ao vento.
Ver-te é já não saber ver
as purezas do jasmineiro.
Ver-te é unir o céu
de quatro pontos distantes.
Amor,
Emigrante azul,
Secreta rosa dos poços,
Ah!
Que dulcíssima fábula
de açucenas extraviadas,
Que anjos de quatro
sílabas
entre os espasmos das mãos,
Amar-te
é já não ter no espírito
invólucro para o teu corpo.