Caída no meu peito
Tatuada no meu peito como a idade
e o desastre.
Como uma frágil irmandade de colinas
norteadas pela manhã,
Fala a minha amada
com seu amor que mal
tem peito diurno e voz descalça.
À minha sombra
as suas ancas rodearam-se de pomos.
Para mim ela aparelha com seus seios
o gado da manhã,
E quebra-se o poente à sua passagem,
como de junco ferido
e loureiro derrubado.
Pálpebras transitadas
de neve e meio-dia,
Tanque onde se afoga
a minha boca profunda
como correntes de pombas
e sal humedecido.
– Sobre as coxas puseram-te
cachos de cólera e vocação de beijos.
De tuas coxas farei
descer cardumes de água,
e espuma interrompida,
e secretos rebanhos.
Vem,
Amada.
Todas as árvores
têm tua cândida altura,
e tua pálpebra descida,
e teu gesto molhado,
Prédio de cotovias
habitado por febres
onde ministra o sol
sobre vinhedos de ouro.
À tua sombra
hão de encontrar-me os pássaros selvagens.
Tua voz de melancólico sopro
entre quatro açucenas,
soará em meus ouvidos
como o chamado da tarde.
Vem,
provar-te-ei com alegria.
Tu sonharás comigo
esta noite.