Aquela vez
– estado de sítio na cidade
sirenes ambulâncias tanques verdes
como pesados lagartos
e o medo crescendo como erva daninha –
acreditamos que seria a última vez.
Fizemos amor com a intensidade da agonia
amar antes de morrer
amar até morrer
fizemos amor com o desespero
da partida
e teus gemidos eram a dor do orgasmo
teu pranto o pranto da perda na união.
Os soldados não chegaram,
passaram ao largo ou
foram para outra casa.
Nunca mais houve uma noite como aquela
compartilhar o medo
o terror do pânico
une mais do que compartilhar a felicidade
a bem-aventurança.
Desde então,
busco a intensidade em outra parte
e não a encontro nas drogas
nem no álcool
nem nas orgias
a intensidade está no meu interior
colada à minha fantasia.
