à toa e preocupada
exploro minha casa
como se fossem vivos
os móveis e as paredes
um demônio me provoca
e eu respondo oi
entregando que estou
perto da janela da cozinha
cinco segundos depois
curiosa e ávida por um pão
olho direto para o inferno
esperando a vertigem
desse sumidouro
a oxigenação do cérebro
continua a mesma
a pulsação também
meus cotovelos dobrados
esbarram na toalha de mesa
me fazendo sentir na pele
o carinho de um mundo
de farelos esquecidos
nessa voragem
não há tontura
nem taquicardia
eu sei que estou onde deveria estar
usando bons binóculos
frente ao espelho do banheiro
consigo olhar de volta
e me ver a qualquer tempo
caçando no escuro
mais alimento
o abismo sou eu
e ai de mim
se não continuar
