Olhos de nanquim.
Escreves o dia
para teu próprio uso.
Calas como a fruta,
repartida de sol,
e que esconde,
em seus úmidos,
seus claros.
Ardes como a água
cheia de peixes vermelhos.
Repousas como as feras,
como as mãos fechadas,
tece com cordões
teu sono violento.
E em silêncio
bates a casa aberta
onde se mora e se morre,
onde o tempo trabalha
seus meio-dias,
seus punhais, sua cega luz.
E enquanto arquitetas a vida
com restos de vinho e copos de mar,
com linhas claras e escuras
e o troco do ônibus
e a dobra de noite do sexo,
bebes a luz do dia nas cervejas,
toda a tarde na espuma branca,
tanta alegria na esponja dessa dor,
tonto amor
