Polpa de fruta que destila um vinho
tinto de sombra na adega rosé,
tâmara madura, amora do caminho
romã em flor sob o azul tostado.
Dentes mais brancos que a flor do espinheiro
e ainda menores que o arroz coalhado.
Eles nevam no sorriso como o linho,
e são adagas de marfim esculpido.
Boca, na época, perfeita, deliciosa,
que às vezes tem langor rosa
e desejo insaciável de recém-nascido.
Desde que foste a taça de meu canto,
sela hoje meu beijo desfeito em pranto
e ajuda-me a partir para o esquecimento.