25/01/2026

VULVA ( Alexei Bueno )

 Aracnídea boca

Sem voz, sangrando um ente
Desfeito eternamente
Num fio que se apouca

E tomba. Casa em chamas.
Umbral do sono. Rio
Do olvido, onde um cicio
De carne eriça as ramas.

Gosto do todo. Ogiva
Da vontade e do nada
A haurir, coralizada,
Quanta ânsia nela viva.

Sarça de extintos eus
A arder. Sol da penumbra
Onde se acende e obumbra
O oco onde esteve Deus.