Ela está sobre a mesa
nua
e fechada em si
como uma urna.
O elegante perfil convoca outras formas
para torna-la única:
pera, pêssego, abricó – o coração, afinal,
de onde irrigam a candura
e o aceno para afaga-la com duas mãos.
De modo que a boca quase treme
(hesitante entre beijá-la e mordê-la)
quando dela se achega
sem saber se se entrega ao domínio do cheiro
ou à volúpia de lambê-la
mesmo antes de (com unhas)
fender-lhe a pele vermelho-verde.
Ah, sulcar a carne macia com o arado dos dentes
deixando que neles se enrosquem os cabelos
que a fruta
(aflita)
não pode comer diante do torvelhinho dos sentidos
do cataclismo que o desejo enseja
no afã de conhecer-lhe o rosto!
Sôfrego, salivo abocanhando a polpa
(esse manancial de sucos que me lambuza,,
espirra, goteja e baba)
que chupo exaurindo a fonte dos deleites
dessa mulher que
por fim consentiu
(pudica e fogosa)
de a mim se entregar.