Há nas mulheres
O sono de uma ausência
Como uma faça aberta sobre os ombros
À qual a carne adere impaciente
Cicatrizando já durante o sono
E há também
o estar impaciente
calarmos impacientes
todo o corpo
Sorrir não devagar
Claramente
Lugares inventados sobre os olhos
E há ainda em nós
O estar presente
Diariamente calmas e seguras
Mulheres demasiado
Serenamente
Nas casas
Nas camas
E nas ruas
E como se toda esta herança
Não chegasse
Como se ainda quiséssemos aumentá-la
Fechamos os braços de cansaço
Como se da vida
Chegasse o inventá-la
E se do sono
Nos vem o esquecimento
Quantas insónias cansamos nós por dentro
