03/02/2026

ÚTERO ( Sonia Chocrón ) Tradução de Gladys Mendía

 Desejo a poesia

certas noites
como quem anseia uma cópula dissoluta,
antes que uma fenda nos reivindique
em seu fosso estéril.
Seu roçar contínuo e macerado
pelo tempo.

As marés do ânimo que agasalha ou corrói.
Seu cheiro a fruta madura e sensual.
Os olhos instruídos do poema que sabe
que os verbos perfuram, umedecem ou sangram,
mas também partem magnânimos
para nos deixar dormir.

Eu anseio uma rima redentora,
como uma canção de terna cama,
quando vejo a morte e sinto frio.

Mas o melhor verso, o que me absolve
de meus dias
desgrenhados,
é um côncavo e de toque suave,
dadivoso e clemente como
o ventre de minha mãe.