21/03/2026

A LUZ OBLÍQUA ( Sophia de Mello Breyner Andresen )

 A luz oblíqua da tarde

Morre e arde
Nas vidraças

Nas coisas nascem fundas taças
Para a receber,
E ali eu vou beber.

A um canto cismo
Suspensa entre as horas e um abismo

A vibração das coisas cresce.
Cada instante
No seu secreto murmurar é semelhante
A um jardim que verdeja e que floresce.