toda a palavra é corpo
e a liberdade movimento
um vendaval solto
dançando preso cá dentro
cabeça língua lábios
juntos ao mesmo tempo
de vermelho presença
de cravo unguento
minha cabeça sentença
minha língua certeza
meus lábios enormes
serena no encontro
porque me vês de longe
— ser livre é ter fome
andar de boca aberta
ávida de instantes
de espanto desperta
enchendo a barriga com gigantes
encontra-me no caos imerso
lugar imenso que atravesso
sou tudo quanto basta ao excesso
não há nada mais livre que ser de mim
sentimento que, por fim, bendigo
— poder nascer e morrer comigo
