Escrevo-te meu amor
com o sangue que fiz jorrar deste ventre inútil
mutilando-me como quem abomina rosas,
achando-as belas,
como se um dia tivesse tido um magnífico jardim
de onde se esbanjassem pétalas, flores, árvores
mel e canela.
Desabitei-me
quando dei por mim era apenas sangue, Tchaikovsky
e a criança que abandonaram a meio da estrada.
Perdoa-me!
Talvez um dia eu retorne em forma de mar
e te faça baloiçar,
ou enquanto condor
só para te fazer voar.
Se te escrevo ainda meu amor
e te trago meus olhos rasgados de lágrimas,
ventre mutilado de facas
é para te dizer o rumo das flores.
Irei no borbulhar das fontes.