de um lado para o outro.
a cerâmica da casa era a mesma.
a poeira, sempre a mesma poeira, era a construção
do vizinho.
o ano passou, a poeira foi levando os meus trinta
anos pra debaixo do tapete colorido.
e eu sobrevivi.
contando nos dedos cada dia.
desejando ser o último.
vá embora. ande. corra, sua lagartixa louca, acabe.
sobrevivi aos trinta anos com uma cárie a menos.
um sonho a menos.
um pai a menos.
e se é tempo de voar,
desengaiolo os lírios do meu cérebro de cimento
