"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
11/05/2025
NOS DIAS TRISTES NÃO SE FALA DE AVES ( Filipa Leal )
Nos dias tristes não se fala de aves
10/05/2025
MUDANÇA DOS VENTOS ( Ivan Lins & Vítor Martins )
Ah, vem cá, meu menino
07/05/2025
MIMESE ( Mônica dos Santos )
Outono cruel, frio e cinzento
Por Lia Vieira
Meu Zumbi
BENÇÃO DAS ÁGUAS ( Jamu Minka )
Deveria ser pleno
DO LADO DE LÁ ( Ayana Moreira Dias )
inoperantes versos
pendendo
dos braços
das mãos
dos dedos
da operária
falanges
que operam esta coisa
aqui
e
outras coisas
tantas
que nem pensa
que opera
enquanto faz
só faz
pés nos
sofás
cansados de dias
pernas moventes
que seguem operando
até
quando pousam
numa certa almofada
tremulam
exibindo
ansiedades
membros
pensam
sobre
o fim
do
dia.
qual dia?
qual fim?
qual meio?
estamos sempre no meio
nos presentes
pré
e
pós
operatórios
o braço cansa,
a nuca também
a forma desinforma
e
cai
em gesto seco
o gesto poderia ser simples,
um só:
escrever
do lado de lá
há desejo imenso e vário
enquanto pensa nos desejos,
a operária opera
paga contas
faz café
corrige redações
responde e-mails
renasce
caminha
rega as plantas
toma o café
varre a casa
paga sustos
faz amor
corrige atenções
responde espelhos
refaz-se
dança
rega as esperas
toma o amor
varre as preocupações
MARESIA E ANDOR ( Caroline Diniz )
Sou toda uma metrópole litorânea.
Uma areia indesejada nos chãos de restaurante.
Ah, como eu gosto da sinfonia dos talheres nervosos.
Sinto muito e em tudo sinto.
Eu percebi a esses dias que sou sensível demais.
Se você fosse pintar um quadro, eu poderia ver:
O andor louco na areia corroído pela maresia selvagem.
CARNE DE DENTRO ( Caroline Diniz )
desnuda-me,
ó meu
lado avesso.
carne de dentro
rui ao maior lamento:
daí afago, daí alento
pro buraco deste peito.
Flanco trêmulo
denuncia
dor latente,
que espicha
impertinente.
Urgentemente,
virai-me do lado avesso!
TEMPOS DE AMOR ( Márcio Barbosa )
1) A boca em molhado círculo
EXU ( Abílio Ferreira )
Lábios vermelhos
O PRAZER NOSSO ( Oubi Inaê Kibuko )
Amada minha que estais no cio; cultuado seja o vosso corpo; venha o prazer ao nosso leito; sejam saciadas nossas vontades, sem tabeliães e sem véus. Um amor pleno de poesias gozai hoje; desfrutaremos nossas querenças; um minuto sequer não percamos, discutindo leis que nos têm reprimido. Vamos copular com emoção, porque amar nunca fez mal. Axé!
EJACORAÇÃO ( Jamu Minka )
Quando tua ausência se multiplica em dias
TESÃO ( Regina Helena da Silva Amaral )
Teu falo é um facho

05/05/2025
AS MULHERES ENVELHECEM ( Luiza Oliveira )
as mulheres envelhecem
Hilda Hilst, "Poemas Malditos Gozosos e Devotos", 1984
Move-te. Desperta.
ANALOGIA ( Gilka Machado ) No livro "Mulher Nua", 1922.
quem me dera aquecer-te em meu Verão!






