pé de coelho
trevo-de-quatro-folhas
guiné arruda alecrim
comigo-ninguém-pode
ferradura atrás da porta
banho de sal grosso
espada-de-são-jorge
e nada de sorte
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
pé de coelho
trevo-de-quatro-folhas
guiné arruda alecrim
comigo-ninguém-pode
ferradura atrás da porta
banho de sal grosso
espada-de-são-jorge
e nada de sorte
sufragete alcoviteira
a primeira na fila do talco
rendas & vidrilhos
dispostos na beira da banheira
estratagemas quais seriam?
um pé direito, sais de banho
a posição do corpo no espaço oval
e os dedos dedilhando em movimentos
de orquestra, allegro andante sem pausas
na pauta, lembrava o banho tcheco no bidê
levantou-se anestesiada, algum formigamento
nas partes baixas e notou algo quente
escorrendo entre as pernas com aparência
de leite derramado
sobre meus olhos, umidez.
sobre meu sexo, uma flor.
acredite, nos labirintos, umidez e uma flor.
[ancestral. negra, negra.
de ilha em ilha
projeto meu país
das maravilhas
tal Alice insandecida
(cortem-lhe a cabeça,
mas jamais
a imaginação
nem o clitóris)
na minha ilha
sou ninfa, sereia, Safo
entre um desabafo
e um pileque
um Sexta-feira
a meu serviço
náufraga
e sôfrega
na minha ilha
(lá mando eu
qual Odisseu
na sua história
entre uma dose
de rum ou gim
ai de mim!
até que eu goze
quero amanhãs que me devorem. enjoei de hojes sem teus beijos. coleciono ontens secos. os lábios rachados dos agoras sangram em bicas. o poema chora seu sinal. vermelho. rima que nunca cicatriza. mordo as horas que há bocas nos separam. sepultam os abraços. hojes de urnas contendo cinzas.
quero amanhãs de asfalto, pedágios, velocidade máxima. amanhãs de pressas e apreços. precisão de línguas lambendo fal[h]as e silêncios. a saliva das palavras selando cada sílaba do desejo.
amanhãs tenros para nos comermos. crus. com destempero. destemidos.
à luz dos próximos milhões de sóis.
amanhãs com chuvas que desprendam nosso cheiro pelas ruas das futuras luas que levarei no ventre.
gosto quando milena fala
Lá fora faz sol.

Senhor
Um poema livre
um dia eu
à porta um sobressalto
Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.
a serenidade, a brisa, o sopro
Às vezes aquele corpo não era meu
Conservo o verão para que não me deixes

Gosto quando me falas de ti e vou te percorrendo
Há uma parte de ti
Quando eu morder
Sei que a manhã trará o fim dos gemidos
no jovem vigor das marés.
Encosta com loucura o teu ouvido às rochas.
Embarcada numa jangada sem mim,
tocarei um a um os sons dos búzios do vento.
Sei que nenhum obstáculo foi suficiente
para impedir este cíclico regresso à terra.
Não tardarás a alcançar a ilha verde,
próxima das nascentes onde te espero
sem corpo. De pele e de alegria me vestirás.
Da nudez dos meus pés beberás o mel.
O que eu gosto do teu corpo é o sexo.
Dói em mim saber que a solidão existe