bem melhor que namorada
a melhor amiga - com quem possas
ter orgasmos
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
eu te levaria para dançar
depois faríamos amor
uma foto sorridente
e nunca mais nos veríamos
ou
eu te levaria para uma foto
faríamos amor e dançaríamos
sorridentes
ou
eu te levaria para uma foto
e faríamos amor
ou
um amor sorridente
ou
nunca mais dançaríamos
ou
nunca mais
ou
tornei-me assim liquefeita
prima dirce vê a vida
Cantiga diga lá
insisto em ser
Meu feminino selvagem
a minha alma gêmea ela mora em marte
quando nasci
se o amor voltar eu me desvio
escondo-me num fundo de bar
fujo do cio
se o amor me quiser de novo
não me vai encontrar
afogo-me no copo de um bêbado
num cubo de gelo
cubro-me com chope ou uisque
eu me bebo
se o amor vier
não vou querê-lo
amor é vício
Na penumbra me perco.

Pinto na janela a tormenta
E, no entanto, muda a direcção dos ventos.

Ai meu coração sem natureza
Olhem para nós. Ouçam-nos.
Trago na pele


Amo-te por sobrancelhas, por cabelo, debato-te em corredores
Além disso quero-te, e faz tempo e frio.
Quem os vê andar pela cidade
para quem com seu incêndio te ilumina,

antes
em nome do Pai
muitas orações
e flagelações
(castigo
pra toda nudez
imaginada no confessionário)
agora
em seu próprio nome
só ereções
e masturbações
(uma parte animal
não se enjaula)
queria-me nua
tão completamente
que depois das vestes
arrancou-me a pele
(fiquei carne viva)
então me salgou
comeu uma parte
e não satisfeito
congelou o resto
(vai comer mais tarde)
caminha por entre os livros, agarrada aos gatos,
a mulher cheia de razão.
quando acorda não me faz café:
esgueira até o banheiro seus dedos de arranhar azulejos;
se ama, se beija, se cospe, se come.
antes e depois de mim
— não está disposta a nos desperdiçar.
eu te proponho
um naco de realidade
e um sonho
:
és do ramo — abre tua flor
quebra meu galho
eu me arrasto
tu te arrastas
nós nus
(um sobre o outro)
com o tanto na barriga
da esquerda para a direita
desabro a vida
a lava escorre e lava
minha honra minha adaga
esta é a paga
meia lua meu amor
é tua
a outra metade
guardei-a para o compadre
que me beija a boca
quando chegas tarde
da casa da outra