14/10/2025

INCENSO ( Gilka Machado )"Cristais Partidos", "Poesias Completas".1915 (A Olavo Bilac)

 Quando, dentro de um templo, a corola de prata

do turíbulo oscila e todo o ambiente incensa,
fica pairando no ar, intangível e densa,
uma escada espiral que aos poucos se desata.

Enquanto bamboleia essa escada e suspensa
paira, uma ânsia de céus o meu ser arrebata,
e por ela a subir numa fuga insensata,
vai minha alma ganhando o rumo azul da crença.

O turíbulo é uma ave a esvoaçar, quando em quando
arde o incenso ... Um rumor ondula, no ar se espalma,
sinto no meu olfato asas brancas roçando.

E, sempre que de um templo o largo umbral transponho,
logo o incenso me enleva e transporta minha alma
à presença de Deus na atmosfera do sonho.

POSSA EU, DA PHRASE NOS ABSONOS SONS (Gilka Machado) "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917.

 Possa eu, da phrase nos absonos sons,

em versos minuciosos ou succintos,
expressar-me, dizer dos meus instinctos,
sejam elles, embora, máos ou bons.

Quero me vêr no verso, intimamente,
em sensações de gôso ou de pezar,
pois, occultar aqui’lo que se sente,
é o proprio sentimento condemnar.

Que do meu sonho o bronco véo se esgarce
e mostre núa, totalmente núa,
na plena graça da simpleza sua,
minha Emoção, sem peias, sem disfarce.

Quero a arte livre em sua contextura,
que na arte, embora peccadora, a Idéa,
deve julgada ser como Phrinéa:
- na pureza triumphal da formosura.

Gelar minha alma de paixões accêsa
porque? si desta forma ao Mundo vim;
si adoro filialmente a Natureza
e a Natureza é que me fez assim.

Meu ser interno, tumultuoso, vario,
- máo grado o parvo olhar profanador –
no livro exponho como num mostruario:
sempre a verdade é digna de louvor.

Fiquem no verso, pois, eternamente,
as minhas sensações gravadas, vivas,
nas longas crises, nas alternativas
desta minha alma doente.

Relatando o pezar, relatando o prazer,
través a agitação, través a calma,
a estrophe deve tão somente ser
o diagnostico da alma.
(ortografia original)

SYMBOLOS ( Gilka Machado ) in "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917. (ortografia original)

 Eu e tu, ante a noute e o amplo desdobramento

do mar fero, a, estourar de encontro á rocha nua.
Um symbolo descubro aqui, neste momento;
esta rocha e este mar... a minha vide e a tua.

O mar vem o mar vae.... nelle ha o gesto violento
de quem maltrata e, após, se arrepende e recúa.
Como eu comprehendo bem da rocha o sentimento!
são bem eguaes, por certo, a minha magua, e a sua!

Symbolisa este quadro a nossa propria vida:
tu és esse mar bravio, inconstante e inclemente,
com carinhos de amante e furias de demente;

eu sou a dôr parada, a dôr empedernida,
eu sou aquella rocha encravada na areia,
alheia ao mar que a punge, ao mar que a afaga alheia.

ROSAS ( Gilka Machado ) no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

I

Cabe a supremacia á rosa, entre o complexo

das flôres, pelo viço e pela pompa sua,
e o arôma que ella traz sempre á corolla annexo
o coração humano excita, enleva, estua.

Quando essa flôr se ostenta á luz tibia da Lua,
o luar busca enlaçal-a, amoroso, perplexo,
e ella sonha, estremece, oscilla, ri, fluctua
e desmaia, ao sentir esse etheral amplexo.

Si é rosea lembra carne ardente, palpitante...
nívea – lembra pureza e nada ha que a supplante,
rubra – de certa bocca os labios nella vejo.

Seja qualquer a côr, por sobre o hastil de cada
rosa, vive a Mulher, nos jardins flôr tornada:
- symbolo da Volupia a excitar o Desejo.
II
Rosas cujo perfume, em noutes enluaradas,
é um sortilegio ethereo a transpôr as rechans;
rosas que á noute sois risonhas, floreas fadas,
de cutis de velludo e tenras carnes sans.

Sejaes da côr do luar ou côr das alvoradas,
rosas, sois no perfume e na alegria irmans,
e todas pareceis, á luz desabotoadas,
a concretisação dos risos das Manhans!

Ó rosas de carmim! Ó rosas roseas e alvas!
ha nesse vosso odôr toda a maciez das malvas,
a púbere maciez do pêcego em sazão.

Dae que eu possa gosar, ao vosso collo rente,
esse perfume, a um tempo excitante e emolliente,
numa dubia, sensual e suave sensação!

Gilka Machado, no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 No torculo da fôrma o alvo crystal do Sonho,

Musa, vamos polir, num labor singular:
os versos que compões, os versos que componho,
virão estrophes de ouro após emmoldurar.

Para sempre abandona esse teu ar bisonho,
esse teu taciturno, esse teu simples ar;
pois toda a perfeição que dispões e disponho,
nesta artística empreza, é mister empregar.

Seja espelho o crystal e, em seu todo, reflicta
a trágica feição que o horror comsigo traz,
e o infinito esplendor da belleza infinita.

E, quando a rima soar, enlevada ouvirás
percutir no teu ser, que pela Arte palpita,
o sonoro rumor do choque dos crystaes.

SEMPRE-VIVA ( Gilka Machado )no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Sempre-viva, teu nome exprime quanto vales,

e, embora te não desse aroma a Natureza,
quem, como eu, padecer o maior dentre os males,
por força ha de exalçar-te a original belleza.

Quer abroches num horto ou na campa assignales
uma grata lembrança, eternamente accesa,
vive essa chamma de ouro inserida em teu calix,
como um sol que a surgir illumine a deveza.

Exposta ao sopro rijo e inclemente do Vento,
aos queimores que o Sol impiedoso te lança,
não te rouba a tortura o fulgor opulento.

És como esta paixão (minha paixão estulta!),
que o túmulo a enfeitar de uma extincta Esperança,
aos rigores da Sorte esplende, viça, avulta!

HELIOS E HEROS ( Gilka Machado )no livro "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917. (ortografia original)

 Filhos meus — duas forças bem pequenas

que amo, e das quaes sustar quizera o adejo;
pequenas sempre fora meu desejo
tel-as, aconchegadas e serenas.

Filhos meus — delles vem, delles, apenas,
a humilhação servil em que me vejo;
mas, si o penar a um filho é bemfazejo,
para uma alma de mãe que valem penas ?

Eu, que feliz, toda enthusiasmo, d'antes,
via os seres tornarem-se possantes,
vejo-os crescerem com pezar, com zelos.

Vejo-os crescerem, ensaiarem threnos,
e, no emtanto, quizera-os tão pequenos
que pudesse nas mãos sempre trazel-os.

ODOR DOS MANACÁS (Gilka Machado)(A J. M. Goulart de Andrade)

 De onde vem esta voz, este fundo lamento

com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem,esta voz que, nas azas, o Vento
me traz, na hora violacea em que o dia declina?

Esta voz vegetal, que o meu olfacto attento
ouve, certo é a expansão de uma magua ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.

Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsychose,
a alma errante e infeliz de uma extincta creatura
chamar anciosamente outra alma que a despose.

Uma alma que viveu sosinha e incomprehendida,
mas que, mesmo gosando uma vida mais pura,
inda chora a illusão frustrada noutra vida.
No livro"Crystaes Partidos: Poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

NOTURNO I ( Gilka Machado )no livro "Crystaes Partidos: Poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Apraz-me sempre ouvir, ás horas vespertinas,

os prelúdios da Noute, os iriantes rumores
que, mal rolam da sombra as primeiras cortinas,
fazem soar pelo espaço os Arrebóes, as Cores.

Ha na violacea cor violinos em surdinas,
vibram no ouro clarins ruidosos e aggressores,
gemem flautas no verde, em notas tiples, finas,
rufam dentro do rubro invisíveis tambores.

Soam na rosea côr accordes flebeis de harpas,
través o alaranjado ha guitarras chilrando,
e os sons rolando vão nas ethereas escarpas.

Ha uma breve fermata e, após, exul, tristonho,
soluça um orgam do alto, em som pauzado, brando,
dentro do azul do céo, como um sonoro sonho.

OLHOS PÉRFIDOS ( Gilka Machado ) in "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Olhos da triste côr dos ambientes mortuarios,

onde paira uma luz de cirio a tremular;
eu um dia suppuz que fosseis dous alvearios,
porque havia um sabor de mel no vosso olhar.

Como no espelho arcoal de pútridos aquários
á noute se reflecte o fulgor estellar,
a vossa podridão, olhos fataes e vários,
vem, ás vezes, um lume estranho illuminar.

Vejo, si em vosso todo acaso o olhar afundo,
que, em vós, como no horror de um lodaçal immundo,
geram-se occultamente os micróbios de um mal.

£ eu, que buscava abrigo á alma desilludida,
toda me untei de lodo, infeccionando a vida,
ao contagio da vossa emanação lethal!

COMIGO MESMA ( Gilka Machado ) no livro "Gilka Machado: poesia completa". Demônio Negro, 2017.

 Numa nuvem de renda,

musa, tal como a Salomé da lenda,
na forma nua
que se estenta e estua,
- sacerdotisa audaz -
para o Amor de que és presa,
rasgando véus de sonho, dançarás
nesse templo pagão da Natureza!

Dançarás por amor das coisas e dos seres,
e por amor do Amor
tua dança dirá renúncias e quereres!
faze com que desfira
tua lira
gargalhadas de gozo e lamentos de dor,
e possas em teu ritmo recompor
tudo que viste estática, surpresa,
e a imprevista beleza,
a beleza incorpórea
dos perfumes e sons indefinidos
de tudo que te andou pelos sentidos,
de tudo que conservas na memória.

Dize da Natureza em que à luz vieste,
dize dos seus painéis encantadores,
dize da pompa, do esplendor celeste
das suas noites, dos seus dias,
e animiza com teus espasmos e agonias
as expressões com que a expressando fores.

Alma de pomba, corpo de serpente,
enche de adejos
e rastejos
teu ambiente,
caiam em torno a ti pedras ou flores
de uma contemplativa multidão:
de lisonjeiros. e de malfeitores
cheias as sendas da existência estão.

Toda de risos tua boca enfeita
quando te surja um ser sincero, irmão,
e sejas sempre pura, espelhante, perfeita,
na verdade da tua imperfeição.
Musa satânica e divina
ó minha Musa sobrenatural,
em cujas emoções, igualmente, culmina
a sedução do Bem, a tentação do Mal!
em teus meneios lânguidos ou lestos
expõe ao Mundo que te espia
que assim como há na Dança a poesia dos gestos,
há nos versos a dança da Poesia.

Dança para esse gozo, o
grande gozo maternal
da Terra,
que te fez sem igual,
e, envaidecida,
em seu amor te encerra,
amando em ti a sua própria vida,
sua vida carnal
e espiritual.

Torce e destorce o ser flexuoso
ó Musa emocional!
maneja os versos de maneira tal
que eles se fiquem pelos séculos dispersos,
com os ritmos da existência universal.

E a dançar,
a dançar,
num delicioso sacrifício,
patenteia a nudez desse teu ser puníceo
ante o sereno altar
do Deus que te domina.
Que importa a injúria hostil de quem te não compreenda?
Dança, porém, não como a Salomé da lenda,
a lírica assassina:
dança de um modo vivificador;
dança de todo nua,
mas que seja a nudez da dança tua
a imortalização do teu Amor!

CONJECTURANDO (A Osório Duque Estrada) ( Gilka Machado ) in "Estados da Alma: poesias". Rio de Janeiro, 1917.

Luctar. . . mas para que?
para, em fim, cedo ou tarde, sêr vencida?
Luctar. . . mas para que?
si a vida
é o que se vê
e se sabe: uma lucta indefinida,
onde qualquer sêr
que lucte ha de perder.

Exhausta, na existência eu as armas deponho,
e, ao envez de luctar,
distraio-me a sonhar,
faço do próprio mal um motivo de sonho.

E' bem melhor soffrer a dôr definitiva,
dôr que ora se amortece, ora se aviva,
e é sempre a mesma dôr,
do que luctando, num constante abalo,
e alimentando da Esperança o anhelo,
caminhar para o Ideal, consegui-lo, alcançal-o,
e, logo após, perdel-o.

Convenci-me,
agora, de que o goso é um crime,
pelo qual nos cabe tetrica expiação.
Feliz de mim que ignoro do prazer, 
tristes dos que muito venturosos são, 
pois não sabem inda o que a soffrer
virão.

Ai dos felizes!
Ai dos felizes!
Bemdito sejas, meu pezar interno,
embora sempre me martyrises !
Bemdita a dôr que no meu ser actúa,
porque, apezar de tudo, a Dôr é bôa
para quem a ella se habitua.
A dôr antiga
é uma dôr amiga,
dóe pouco a pouco, não magoa
quasi.

Ai dos que fruem da ventura a phase,
loucos, á espera de um prazer superno!
Ai dos que vivem nos enganadores
gosos desta existência!
— A dôr inesperada é a maior dentre: as dores,
vem com toda a violência
das vinganças.

Alma de onde somente o riso escapa,
alma que da alegria não te canças,
olha que a Dôr prepara o seu -bote, a socapa !
si attingiste do goso a plenitude
é que ella bem te illude,
e se prepara e apura
— traiçoeira — te engendrando uma horrível tortura!

Viver. . . mas para que ? Ai dos que amam a vida
por lhe haverem provado até então do prazer!
torturas soffrerão quando a virem perdida,
por amarem a vida
hão de cedo morrer!

Ai do ser que accumula
o ouro das illusões 
— um thezouro prepara
para
satisfazer a Morte avara.
quantas riquezas vão para os caixões!

Ai daquelle que tem o corpo forte,
pois conservar a carne pura e san
é o mesmo que engordar a ovelha para o corte!
ai daquelle que, amanhan,
saboreado será pela gula
da Morte!

Ai dos que se suppõem vencedores
desta lucta e, embriagados de ventura,
passam alheios á Desgraça ! ...

Ai dos que gosam faustos e esplendores!
que tortura sem par,
por uma cova regelada e escura
um palácio trocar!

Veloz a vida dos felizes passa 

Ai dos ricos, que vivem sempre cheios
de vaidade e de bens roubados, bens alheios !
de que valem fazerem tanto mal,
si tudo hão de deixar pela Morte, afinal ?!

Felizes dos que vivem na miséria,
de corpo sêcco, de alma exgottada,
pois nada levam para a funeria
orgia dessa velha deletéria.

Felizes desses que não têm morada,
que não têm conforto,
não tiveram passado e não terão porvir,
que, quando a Morte, emfim, lhes fôr chegada
(ha sempre abrigo para um corpo morto!)
pouso conseguirão, em calma, hão de dormir.

Fará os felizes tem a Morte horrores,
é o inferno"com todas as torturas,
mas tem mysterios promissores
para as creaturas
que só souberam do travôr das dores.

Cada dia que passa me persuade
que bem melhor que a felicidade
é a insensibilidade;
as delicias
da vida são fictícias,
e a morte é o meio singular
de não soffrer, de não gosar.

Feliz de quem se fez soffredora submissa
e desistiu da liça,
vencedora será quando a Morte chegar
porque lhe ha de burlar
a insaciável cobiça.

Feliz de mim que, de illusões vasia,
vou me acabando, dia a dia,
Feliz de mim que não terei mais nada
para a Morte levar.
Feliz de mim que, a esfallecer, diviso
um goso doce, delicioso, manso,
pois si a morte não me for o paraiso,
ha de ao menos me sêr da tortura o descanço.
do declive da vida na jornada. 
 ( ortografia original )

ANALOGIA ( Gilka Machado ) No livro "Mulher Nua", 1922.

 "Sempre que o frio chega o meu pesar sorri,

pois te adoro no Inverno e adoro o Inverno em ti"

Amo o Inverno assim triste, assim sombrio,
lembrando alguém que já não sabe amar;
e sempre, quando o sinto e quando o espio,
julgo-te eterizado, esparso no ar.

Afoita, a alma do Inverno desafio,
para inda te querer e te pensar
para gozá-lo e gozar-te, que arrepio!
que semelhança em ambos singular!

Loucura pertinaz do meu anelo:
- emprestar-te, emprestar-lhe uma emoção,
- pelo mal de perder-te querer tê-lo

Amor! Inverno! Minha aspiração!
quem me dera resfriar-me no teu gelo!
quem me dera aquecer-te em meu Verão!

ESBOÇO (Gilka Machado), no livro "Sublimação". Typ. Baptista de Souza, 1938

 Teus lábios inquietos

pelo meu corpo
acendiam astros
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforescentes carícias
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos

13/10/2025

BAILE ( Djavan )

 Tarde tramando a noite

Luz e trevas no ar trocando beijos
Atração de Azougue
Guiando a carruagem do desejo
Pra resultar num luar talvez

Que eu espero tão claro
Quanto o sonho de ter você comigo
Dia dos namorados
Há de te receber em meu abrigo

Ginseng, ópio, coisa de acender
Não tem poder de me ligar

Um beijo seu pode muito mais
Faz a cena mudar, acender

A cidade para o baile que é você
Minha amada, minha estrada, meu viver
A saudade vem dos mares

Densa como uma nuvem
Decidida a cobrir toda a cidade
Penso em ti, me dá medo
Não suporto um dedo de saudade
Pra te esperar eu vejo TV

Dizem que a "Nova Era"
Trará algo de bom pro mundo inteiro
No jornal da TV
Mais um homem recua por dinheiro


Sonho, odisseia, magia, lógica, poesia, dor,
Éden, unidade, alegoria, toque, amplidão, semente,
Linguagem, alimento, futuro, aura, espelho, via,
Eterno, átomo, matéria, nada, arte, tudo somos

Na insanidade exata do amor!