26/01/2026

Por Célia Moura, poesia inédita

 Longa é noite

quando ninguém dorme a teu lado
quebram-se promessas
que não passaram de devaneios
oscilando volúpia ao tempo rosas brancas
em meus seios de luar.
Longa é a noite
quando já ninguém chama pelo teu nome.
Amargas se tornaram as bocas
que nunca se juntaram
todos os lábios por beijar
inflamados de rubi
são nada!
Meu corpo lindo, sequioso,
colapsado em temporais,
aninhado ao teu lado
anulado!
Para quê?!
Longas são as noites
quando só a ausência me adormece
e a estrada até ao mar tem sabor a infinito
meu amor ausente, de sempre, para sempre
numa eternidade exagerada de tanto.

NA ESTRADA DAS AREIAS DE OURO ( Elomar Figueira Melo )

 Lá dentro no fundo do sertão

Tem uma estrada
Das areias de ouro
Por onde andaram
Outrora senhores-de-engenho
E de muitas riquezas
Escravos e Senhoras
Naquelas terras imensas
De Nosso Senhor
Lá dentro no fundo do sertão
Tem uma estrada
Das areias de ouro
E contam que em noites
De Lua pela estrada encantada
Uma linda sinhazinha
Vestida de princesa
Perdida sozinha vagueia
Pelas areias
Guardando o ouro
De seu pai, seu senhor
Aquele fidalgo
Que o tempo levou
Pras bandas do mar de pó
E hoje que tudo passou
A linda sinhazinha
Encantada ficou
Lá dentro no fundo do sertão
Na estrada
Das areias de ouro

O SONHO DA UNIÃO ( Arnaldo Jabor )

 O amor sonha com a pureza

sexo precisa do pecado

o amor é sonho dos solteiros

sexo é sonho dos casados

COR DE MARTE ( Anavitória )

Me fita que eu gosto de me enxergar

Por dentro do teu olho

É tão bonito de lá

Tem cor de Marte

E teletransporte

Pra galáxia que mora em você

Me passeia que eu gosto de arrepiar

Sob sua digitais

É impossível calar

É feito sorte

Me abraça forte

E tateia todo meu caminho

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me beija que eu gosto da tua textura

Do teu gosto frutado

Sorriso colado

O compasso acertado

O ritmo acelerado

Encaixado no meu

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Encontro lar

No perfume da tua nuca

Na curva do teu ombro

E no teu respirar

Nas tuas pernas

Nas mãos, teu cabelo

E no cheiro do beijo

Que faz tu grudar

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me bordou


O SEGREDO DA NOITE ( Cláudia Marczak )

Neste instante já não sou nada,

somente corpo, boca, pele,

pêlos, línguas, bocas.


E a vida brota da semente,

dos poucos segundos de êxtase.

Tuas mãos como um brinquedo

passeiam pelo meu corpo.


Não revelam segredos

desvendam apenas o pudor do mundo,

descobrem a febre dos animais.

Então nos tornamos um

ao mesmo tempo em que

a escuridão explode em festa.


A noite amanhece sem versos,

com a música do seu hálito ofegante.

O sol brota de dentro de mim.

Breves segundos.

Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.


Eu fui feliz.


AMOR AO MEIO - DIA ( Marina Colasanti )

O sol
no pau
a pique.
A sombra
da vulva telha-vã.

AINDA TE LEVAREI ( Marina Colasanti )

Ainda te levarei
Amor
Para comer nozes frescas
Na montanha
E pendurar cerejas nas orelhas
Como se fossem flores
Ou rubis.

As nozes
Meu amor
Mancham os dedos
E são verdes e exatas
Como ovos
Mas as cerejas
Ah! As cerejas
São quando a cerejeira sua
Seu manso sangue.

Ainda te levarei àquela casa
onde floriam lilases
e serpentes tão claras quanto a água
deslizavam ao pé das macieiras.
te mostrarei três lagos
no horizonte
três queijos maturando
numa adega
três lesmas
escondidas sob um vaso.
estará tudo lá
à nossa espera
morangueiras quebradas
lagartixas.

Só não estará meu medo
de menina
aquele mais escuro que os ciprestes
ecos no mato passos sobre a ponte
garras na saia vento nos cabelos
e o latejar das veias repetindo
estou sozinha
e ninguém me salva

CANÇÃO PARA UM HOMEM E UM RIO ( Marina Colasanti )

Porque era um homem sincero
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas sincero não era
era só homem
e deixei nos junquilhos a esperança
de dar à minha espera serventia.

Porque era um homem forte
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas forte ele não era
era só homem
e entre pedras deixei o meu desejo
de abandonar o arado, a forja, e a lança.

Porque podia me amar
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas amante não era
era só homem
e na água afoguei a minha sede
de palavras mais doces que ambrosia.

Porque era um homem
só homem
eu o levei ao rio entre junquilhos.

AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS ( Wislawa Szymborska ) in Poemas; Companhia das Letras, 2011.

Quando eu falo a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu falo a palavra Silêncio,
o destruo.
Quando eu falo a palavra Nada,
crio algo que nenhum não-ser comporta.

25/01/2026

MULHER AO ESPELHO ( Cecília Meireles )

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AS HORAS DE AMOR ( Renato Rezende ) in Aura, 1997

 O Marajá Akbar

escreve em sua biografia
que durante sua vida inteira
só sentiu amor verdadeiro
por três minutos e meio.

Akbar, o rei, o imperador
não apenas de uma província
mas de um país inteiro.

Quanto tempo de amor
eu tenho vivido na minha vida?

MULHER ( Renato Rezende ) in Aura, 1997

 A mulher, nua

diante do espelho.

Eis, no meio da vida
o prazer verdadeiro.

Em círculo beija
a própria ferida,
o próprio seio.

MITO (Renato Rezende) in Passagem, 1990.

 Para viver o homem é preciso

Refazer a Beleza e o Amor.
A Beleza é mito; e o Amor, mito.
Reescrever a palavra, o mito.
O homem se debate dentro do mito:
Por você, poesia, eu sinto
O ódio maior, mais bonito.

O BANHO DE XAMPU (Elizabeth Bishop)Tradução: Paulo Henriques Britto:Cia. das Letras, 1999 - SP, Brasil

 Os líquens - silenciosas explosões

nas pedras - crescem e engordam,
concêntricas, cinzentas concussões.
Têm um encontro marcado
com os halos ao redor da lua, embora
até o momento nada tenha mudado.

E como o céu há de nos dar guardia
enquanto isso não se der,
você há de convir, amiga,
que se precipitou;
e eis no que dá. Porque o Tempo é,
mais que tudo, contemporizador.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
- Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.

UMA ARTE ( Elizabeth Bishop ) ( tradução: Paulo Henriques Britto )

 A arte de perder não é nenhum mistério;

Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

- Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

AFRODITE ( Alberto de Oliveira ) in Poesias Completas.

 I

Móvel, festivo, trépido, arrolando,
À clara voz, talvez da turba iriada
De sereias de cauda prateada,
Que vão com o vento os carmes concertando,

O mar, — turquesa enorme, iluminada,
Era, ao clamor das águas, murmurando,
Como um bosque pagão de deuses, quando
Rompeu no Oriente o pálio da alvorada.

As estrelas clarearam repentinas,
E logo as vagas são no verde plano
Tocadas de ouro e irradiações divinas;

O oceano estremece, abrem-se as brumas,
E ela aparece nua, à flor de oceano,
Coroada de um círculo de espumas.

II
Cabelo errante e louro, a pedraria
Do olhar faiscando, o mármore luzindo
Alvirróseo do peito, — nua e fria,
Ela é a filha do mar, que vem sorrindo.

Embalaram-na as vagas, retinindo,
Ressoantes de pérolas, — sorria
Ao vê-la o golfo, se ela adormecia
Das grutas de âmbar no recesso infindo.

Vede-a: veio do abismo! Em roda, em pêlo
Nas águas, cavalgando onda por onda
Todo o mar, surge um povo estranho e belo;

Vêm a saudá-la todos, revoando,
Golfinhos e tritões, em larga ronda,
Pelos retorsos búzios assoprando.

CONCHA ( Régis Bonviciano )

 Too much is enough Of that girl Gorgo

                                                                                                 Safo     

Concha de nenhum mar

Casulo pegando um sol
Segredo de
dedos mútuos
Cão pequeno e
vulgar céu
precipitado inseto
de uma voz coleante

côncava, con-
sentida
obviando
a morte

CÓDIGO MORSE ( Nélson Ascher )

 Se indagas como, assim,

sei que, no fundo, atrai-te,
mais que o de Shere Hite,
o Relatório Kinsey

e, quanto ao nosso encaixe
futuro, não me dói de-
clarar que, a Sigmund Freud,
prefiro Wilhelm Reich -

só para que me entendas
melhor, deixa-me, dentro
das regiões pudendas,

expor meu argumento
-com dedos- à mucosa
do teu botão de rosa.

V DE VULVAS ( Carlito Azevedo )

 Penetráveis

sob a dor áspera
da estocada cega (que
vai ao fundo
e rebenta seu cristal de água) ou
sob digital delicada (um
beija-flor albino pousado
num fio de mel na Gávea)
que ruboriza
ao marasquino,
tornam-se entanto
intratáveis
se, vazias de desejo,
nada se lhes dá -nem luz nem
riso- nos desvãos
de mucosa e
corrosão

UM DUETO ( Capinam & Francis Hime )

 Essa ave, madrugada, apaixonada, ah

Voa, voa, e sem parar
Entra doida na janela, amada
No espelho desespero
Eu sonho teu sonhar
Quase tua, toda nua
Meu luar, luar
Sereno teu cabelo
Belo, belo, meu amor
O cheiro estrangeiro
Da paixão é quase dor
Que dor tão verdadeira
Que me faz quase afogar
Seu beijo, meu desejo
Que jamais vão nos salvar
Para madrugada
Vê se atrasa esse amanhã
Vem me tomar, abraçar
Brilha sobre nós, estrela Dalva
Arde labareda
Eternamente a me queimar, queimar
Pára, madrugada
Vê se atrasa esse amanhã
No brilho dos teus olhos
Já começa a clarear
O ardor dessa paixão
Que nunca mais vai nos salvar
Igual a esta luz
Verão, luar, constelação
Estrela Dalva arde em paz
Clareia coração
Pára, madrugada
Vê se atrasa esse amanhã
Vem me tomar, abraçar
Ave louca a sonhar
Me tomar, abraçar
Ave louca a sonhar.

LOA ( Carlos Ávila )

                                            aos pequenos lábios

um brinde

uma guirlanda
um belo verso
uma oferenda
(roubo a ronsard)
Je te salue,  ô merveillette fente
cantando-te
não pago prenda
apenas para que aprendas
e saibas de cor
que a fenda
(petit trou)
é flor

VULVA ( Alexei Bueno )

 Aracnídea boca

Sem voz, sangrando um ente
Desfeito eternamente
Num fio que se apouca

E tomba. Casa em chamas.
Umbral do sono. Rio
Do olvido, onde um cicio
De carne eriça as ramas.

Gosto do todo. Ogiva
Da vontade e do nada
A haurir, coralizada,
Quanta ânsia nela viva.

Sarça de extintos eus
A arder. Sol da penumbra
Onde se acende e obumbra
O oco onde esteve Deus.

Por Cláudia Roquette - Pinto

 debruçar-se sobre seu aroma

faz abrir mais ainda
as pétalas, de onde ele assoma.
e enquanto mais fundo se adentra
(vermelho - puro caindo ao
último grau de escuro -
magenta do pistilo), vê-lo.
ei-lo que se deslinda
-impaciente centelha.
o dedo, destro, hesita,
em gesto de abelha,
ante.

24/01/2026

POEMA EM FORMA DE CARTA AO LEITOR ( Augusto Massi )

 Quanto tempo custa a um analfabeto

empregar corretamente genitália?
Quantos textos um homem de letras
precisa escrever para usar boceta?
Quantas primaveras uma menina leva
para saltar a palavra perereca?
Quando se perde a virgindade do poema?
Por que tamanha tara pela metáfora?
Por que falar leque, búzio, flor?
A xoxota não cabe no ventre do poema?
Como arrancar o cabaço da imagem?
A musa tem orgasmo, menstrua, urina?
Como ela se refere ao próprio sexo?
Entre mulheres importa o tamanho da vagina?
No amor é possível sussurrar clitóris?
Estou cansado de tanto engenho
dos ginecologistas da língua,
das propagandas de absorvente.
Por que essa palavra entre os dentes?
Não existe um ponto intermediário
onde se fundem o som e o sentido?
Onde se fodem baixo calão e dicionário?
Quantas perguntas sem resposta.
Leitor, perdoe esse perverso polimorfo,
que recifra em sêmen, em verso, em prosa,
o inexplicável lirismo da xoxota.

DISCRETA ( Maria Rita Kehl )

 Se finjo acreditar sempre que insistes

em professar completa ignorância
daquilo que conheces desde a infância,
mas contra teu saber inda resistes,

é que em teu corpo a carne alerta e triste
não pensa nem calcula: é pura ânsia;
nem atribui a menor importância
ao que faltava ali, quando me vistes.

Foi teu desejo que fez o segredo
de onde teço minh' arte,  feiticeira,
a fim de exercitar as artes tuas;

que meu vazio não te faça medo:
pois se não me foi dado ser inteira
tampouco me terás menos que duas.

EXTERIOR ( Waly Salomão )

 Por que a poesia tem que se confinar?

às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! 
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

LUZ / SEM LUZ (Janice Caiafa )

 Meia-lua escura

na unha é anel
de musa, ao céu
é ranhura de luz
no sexo marca difusa
vala ventosa que suga
com ar rarefeito

Palma acidental só vulto
varia vertente convulsa
versátil em ondas em outra
de uma estrela
ausente veluda
o rastro de pontas.

SONETO DE AGOSTO ( Vinícius de Moraes)

 Tu me levaste, eu fui. Na treva, ousados

Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil.
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

VIDA E POESIA ( Vinícius de Moraes)

 A lua projetava o seu perfil azul

Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.

EPITÁFIO ( Vinícius de Moraes )

 Aqui jaz o Sol

Que criou a aurora
E deu luz ao dia
E apascentou a tarde

O mágico pastor
De mãos luminosas
Que fecundou as rosas
E as despetalou.

Aqui jaz o Sol
O andrógino meigo
E violento, que

Possuiu a forma
De todas as mulheres
E morreu no mar.