Como vulvas na rocha
como gargantas sensuais
como espeluncas vazias
funis subterrâneos
ventres escavados
de adegas rupestres
como cópulas
para furto de lubricidades
como covas profundas
de quartzo e silício
abrigos
túneis
silenciosas catacumbas
até os ímãs saxões
do penhasco vivo
blindadas de ferrugem
e fermentos
dos mármores
com sibilinas artérias
como veias recônditas
por onde circula o tempo
por debaixo
da terra
como sótãos imensos
por onde passa a sombra
a luz das entranhas
em seus antigos
cálices de ossos
e de água
como gretas de mina
onde suam os cristais
de carvão e quartzo
e destroncam
os abismos
de esmeraldas
como hortos proibidos
como uma recorrente
rachadura
do espelho:
Loltun
como uma flor consciente
imaginada em pedra