02/08/2025

36. A POESIA QUE HÁ ( André Caramuru Aubert )

 a poesia que há no que a pele sente quando sente

que há nela outra pele,
encostando, os corpos, a calidez, as pernas
entrelaçadas, mamilos entre dedos que apertam
com força, a respiração. o cabelo, ora
solto, ora preso em coque, deixando ver, por inteiro,
o pescoço. e a poesia que há nos pequenos lábios, e
nos grandes. a respiração, a transpiração.

depois, o torpor. e a pele, cansada. a certeza
de que só a poesia redimirá nossos pecados
(que são muitos),
de que só a poesia nos poderá salvar.