02/08/2025

ADORMECIDA (Castro Alves)

 Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
   La croix de son collier repose dans sa main,
 —
   Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière.
   Et qu'elle va la faire en s'éveillant demain.
                                             A. de Musset

 Uma noite, eu me lembro. Ela dormia

Numa rede encostada molemente.
Quase aberto o roupão. solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina.
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos  beijá-la.

Era um quadro celeste! A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia.
Quando ela serenava... a flor beijava-a.
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia.

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças.
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se.
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio.

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor!  tu és a virgem das campinas!
"Virgem!  tu és a flor da minha vida!"