Sonho com as tuas mãos silenciosas
Que vogam sobre as ondas
Rugas caprichosas
E que reinam sobre meu corpo sem procurar ser justas
Estremeço e acabo por murchar
Pensando nas lagostas
De antenas ambulantes e ávidas
Que raspam o sémen dos barcos adormecidos
Para estendê-lo tão-logo sobre as cristas do horizonte
As cristas espreguiçando polvilhadas de peixes
Nas quais eu me vou saciando todas as noites
A boca cheia as mãos cobertas
Sonâmbula de mar salgada de lua