Os relógios -
Mãos perdidas vagando.
O tempo
Conta o cansaço, grão por grão.
Você não veio.
Nem de além das estradas,
Nem de além do esquecimento.
Sombras,
No comprimento da ansiedade,
Alongam-se na parede.
Neste vão
Entre ser e não ser,
Tornei-me um espelho
Que nada reflete
Senão tua ausência.
Esperar
É a invasão de um monstro
Na alma.
Ele me ensinou
A despedaçar-me, pouco a pouco, na solidão,
E, com tua memória vívida,
Aceitar a rotina dos dias.
As estrelas?
Mentem.
Cada dia
É a mesma ferida de ontem.
Ainda creio
Nas velhas superstições:
Que você virá.
Mas se vier
Veja!
Já não quero janelas.
Temo todos os preenchimentos,
Temo todos os fins,
Os sentidos.
Temo as metáforas mortas.
Fico com uma verdade quebrada:
Amei tua sombra,
Não tua forma vazia.
Não venha.
Nunca venha.
Que tua ausência
Seja o grande prêmio -
Para sempre.
